Pé de servidor que amputou o próprio membro para receber R$ 1,5 milhão foi encontrado dentro da mochila dele

  • 21/06/2026
(Foto: Reprodução)
Homem é condenado após amputar pé para receber indenização de R$ 1,5 milhão O pé do servidor público que tentou fraudar seguradoras após amputar o próprio membro para tentar receber uma indenização de R$ 1,5 milhão foi encontrado dentro da mochila dele, a cerca de 350 metros do local onde ele foi socorrido, na zona rural de São Gonçalo dos Campos. O homem disse à polícia ter perdido o membro durante um assalto seguido de sequestro. Dentro da bolsa estavam todos os pertences que ele afirmou terem sido levados pelos assaltantes, além do pé amputado. Servidor público havia contratado quatro seguros um mês antes O fato chamou a atenção dos investigadores porque contrariava a versão apresentada pelo servidor, que afirmou ter tido o celular, o relógio e outros bens roubados durante a ação criminosa. Vanderley dos Santos Gomes atuava na cidade de Amélia Rodrigues, no Recôncavo baiano, e foi condenado a cumprir 720 horas de prestação de serviços à comunidade e efetuar o pagamento de prestação pecuniária no valor de R$ 7.590. A situação ocorreu em julho de 2019. Em depoimentos prestados à Polícia Civil e à Justiça, Vanderley relatou que chegou à cidade de Cruz das Almas à noite, com fortes dores, por isso foi até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade para tomar um medicamento, mas não foi atendido por falta de receita. O homem disse que, ao sair da unidade de saúde, foi abordado por dois homens, em um carro preto, que anunciaram o assalto. De acordo com o relato, os criminosos estavam armados e teriam o forçado a entrar no veículo, onde ele foi vendado e amarrado. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Feira de Santana e região O servidor público contou que teria sido agredido com socos e teve R$ 2 mil em espécie roubados, além do relógio e celular. Depois disso, ele teria sido levado a uma estrada de terra, onde os criminosos o imobilizaram e teriam amputado o pé. Vanderley disse ainda que desmaiou devido à dor intensa e, ao acordar, se viu sozinho em uma estrada do povoado de Mercês, na zona rural de São Gonçalo dos Campos. Vanderley dos Santos Gomes deverá cumprir 720 horas de prestação de serviços à comunidade e efetuar o pagamento de prestação pecuniária no valor de R$ 7.590 Arquivo pessoal Inconsistências no relato As autoridades apontaram uma série de inconsistências nos depoimentos prestados pelo servidor público. Uma delas foi justamente o fato de a mochila ter sido encontrada pela perícia a cerca de 350 metros de onde Vanderley foi socorrido. A bolsa continha todos os pertences que o homem afirmou terem sido roubados, assim como o pé amputado. Outras questões apontadas foram ⬇️ ➡️ A amputação do membro dele por parte dos supostos sequestradores. De acordo com o documento, os juízes consideraram "ilógica" a ideia da amputação, já que Vanderley não possuía inimigos e nenhum resgate foi solicitado. ➡️ A Justiça também considerou que o servidor público demonstrou uma série de esquecimentos sobre aspectos cruciais do crime, como a dinâmica exata da lesão e qual o instrumento utilizado para praticá-la. O documento aponta que ele não soube afirmar se os criminosos teriam utilizado um facão, serra ou foice. ➡️ Também foi destacado que a ordem cronológica dos fatos indicava uma premeditação financeira. Para os juízes, é contrastante que um servidor com um salário reduzido tivesse contratado quatro seguros de vida simultâneos apenas seis semanas antes de perder o pé. Condenação Sede do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), em Salvador Alan Oliveira/G1 Diante do apurado, a Vara de Execuções Penais de São Gonçalo dos Campos concluiu, em primeira instância, que o servidor planejou a fraude ao contratar os seguros e posteriormente apresentar a história para receber as indenizações. Ele foi condenado a dois anos de reclusão por estelionato, em primeira e segunda instâncias. O homem ainda tentou levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não conseguiu. A defesa de Vanderley havia apresentado um pedido de prequestionamento, um recurso jurídico usado para forçar os magistrados do estado a declararem expressamente quais leis foram aplicadas na decisão. Essa etapa é obrigatória para que um processo possa ser analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, a Justiça da Bahia considerou que todos os pontos e leis questionados pela defesa de Vanderley já haviam sido detalhadamente examinados e debatidos ao longo do processo, não sendo necessário encaminhar o caso ao STJ. Como o caso transitou em julgado, ou seja, não cabem mais recursos, Vanderley começou a cumprir pena em maio deste ano. O que dizem os advogados das seguradoras “O caso é um dos mais emblemáticos num mercado em que, só em 2024, contabilizou mais de R$ 1,1 bilhão de indenizações evitadas em golpes comprovados”, afirmou o advogado Adriano Scattini, da Advocacia Zacarelli, escritório que representou todas as seguradoras envolvidas. Em nota, a empresa informou que o primeiro fato a chamar a atenção foi a multiplicidade de apólices contratadas pelo servidor público que não teria renda para pagá-las no longo prazo. Cada uma com uma empresa referência no setor. “Casos como esses são detectados porque as empresas operam de maneira integrada, que é o melhor meio de combater a epidemia de fraudes contra os seguros”, explicou Scattini. Perícias médicas atestaram que a amputação do pé não poderia ter sido feita por golpes violentos num assalto. “Quem ajudou ele tinha conhecimento de técnicas cirúrgicas, o que invalidou a versão de violência e do assalto”, explicou Scattini. LEIA TAMBÉM: Baiana vence torneio mundial de Candy Crush e fatura R$ 2,5 milhões e anel com pedras preciosas Investigação revela esquema que superfaturou milhões em cachês de artistas pagos com verba pública na Bahia Simone Mendes dá sandália de grife de luxo avaliada em R$ 7 mil para a irmã Simaria Veja mais notícias de Feira de Santana e região. Assista aos vídeos do g1 e TV Subaé 💻

FONTE: https://g1.globo.com/ba/feira-de-santana-regiao/noticia/2026/06/21/servidor-que-amputou-o-proprio-pe-teve-membro-encontrado-dentro-de-mochila.ghtml


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